Uma das principais ações da arte ativista envolve a alteração do sentido de algo pré-existente. A publicidade é o alvo mais comum, vide a prática do adbusting (do qual o excelente Decapitator é um dos maiores expoentes na atualidade). Ao juntar o ativismo anti-consumista com a arte urbana, tiveram origem diversas ações artísticas com forte teor político e que envolviam ações coletivas.
O blog De-Noted é dedicado a uma dessas ações. Ele reúne fotos de notas (dinheiro!) de diversas partes do mundo alteradas com frases escritas à mão, com carimbos e desenhos sobre as artes originais das notas. “Quando foi a última vez que o dinheiro lhe fez pensar? Alguma vez ele fez isso?”, questiona a página de apresentação do blog. A idéia, segundo o autor (anônimo) do De-Noted, é utilizar o dinheiro, especificamente, as notas, como suporte para provocação das pessoas, seja através de questionamentos ou da apreciação das alterações.
Qualquer pessoa pode enviar fotos das notas alteradas para o blog ou se registrar e publicá-las diretamente (necessitando da moderação do autor para que sejam efetivamente publicadas). A maioria das notas apresenta frases afirmativas (como “Use esta nota para comprar um livro”) e não questões que suscitem discussões, proposta inicial do blog. Esse desvio, no entanto, é considerado natural ao se lidar com colaborações e, para o criador do blog, representa apenas “uma ampliação dos critérios“.
Ao observar o material publicado fica clara a forma como algumas pessoas tratam a idéia como um projeto artístico, visual, enquanto outras possuem postura mais próxima do ativismo político.
Outras ações envolvendo a alterações de notas estão relacionadas a contextos sociais. Por volta do fim dos anos 90, notas com carimbos que estampavam as frases “gay money”, “lesbian $$$” e “bissexual money” passaram a circular em grandes cidades americanas como forma de apresentar à sociedade o tamanho desses grupos, discriminados por suas opções sexuais, e seu poder de compra, buscando demonstrar sua representatividade e lutar por seus direitos legais. A iniciativa cresceu tanto que influenciou a criação da “estampa dos donos de armas”, que passaram a carimbar notas com a frase “gun owner$” (dono de arma), também como forma de auto-afirmação e registro de sua representatividade no sociedade americana.
Mais ou menos como afirmava o extinto coletivo Re:Combo, recriar é viver…
Mais sobre o tema:
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A intervenção em cédulas de dinheiro é mesmo um das artes-ativistas mais fodas. E aí temos que lembrar do Cildo Meireles, que já nos anos 70 carimbava os cruzeiros com frases como “Yankees Go Home” ou “Quem matou Herzog?”. Boa a dica do blog gringo, vou enviar algumas experimentações brasileñas para eles.